2026-02-28 10:56:00
Os mercados de petróleo só reabrirão na manhã de segunda-feira (2), mas os operadores do setor já avaliam quais serão os efeitos do ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
A produção iraniana de petróleo é a terceira maior da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), atrás de Arábia Saudita e Iraque e muito próximo dos Emirados Árabes Unidos. O país representa cerca de 4,5% da oferta global do produto. São cerca de 3,3 milhões de barris por dia de petróleo bruto.
O Irã aparecia na nona posição em um ranking da IEA (Agência Internacional de Energia) com os maiores produtores de petróleo bruto do mundo (atrás de EUA, Arábia Saudita, Rússia, Canadá, Iraque, China, Emirados Árabes Unidos e Brasil, e à frente do Kuwait).
O conflito de 12 dias entre Irã e Israel no ano passado fez o preço do Brent, referência mundial, disparar mais de 20%, chegando a quase US$ 79 por barril, antes de recuar com o arrefecimento das tensões. Quando os EUA entraram no confronto, —também em um fim de semana—, o barril disparou mais de 5% na reabertura, antes de desabar à medida que os operadores do mercado concluíram que a ação se desescalonaria rapidamente.
O Brent já acumulava alta de 22% desde dezembro, superando US$ 72 o barril —inicialmente por preocupações com a ação americana na Venezuela e, mais recentemente, pelo temor de um ataque a Teerã.
Os membros do grupo de exportadores devem se reunir neste domingo para discutir os níveis de produção para abril. O grupo manteve a produção estável neste ano, mas há uma forte expectativa de que comece a elevar a oferta na primavera —movimento que poderia ajudar a acalmar os mercados caso as tensões se agravem.
Helima Croft, analista do RBC Capital, observou que a única capacidade significativa de produção excedente de petróleo bruto está na Arábia Saudita, e que os estoques podem estar “extremamente vazios caso ocorram grandes interrupções no fornecimento decorrentes de um conflito entre EUA e Irã”.
Existe o receio de que a ofensiva afete o estreito de Ormuz, entre Omã e o Irã, por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo.
Os membros da Opep —Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque— exportam a maior parte de seu petróleo bruto pelo estreito, principalmente para a Ásia.
O Catar, um dos maiores exportadores mundiais de gás natural liquefeito, envia quase todo o seu GNL pelo estreito.
Um bloqueio ao estreito de Ormuz, combinado com uma alta acentuada e sustentada nos preços do petróleo, teria um impacto “significativo” na inflação, afirmam analistas, mesmo reconhecendo a incerteza em torno das implicações econômicas dos ataques.
Uma alta sustentada no preço do petróleo Brent a US$ 100 por barril poderia acrescentar entre 0,6% e 0,7% à inflação global, segundo analistas da consultoria Capital Economics.
Nas últimas semanas, os grandes exportadores do Oriente Médio vinham se apressando para embarcar cargas de petróleo bruto já como parte de um plano de contingência.
A Arábia Saudita embarcou cerca de 7 milhões de barris por dia em fevereiro —o maior volume desde 2023 —, enquanto as exportações de petróleo dos Emirados Árabes Unidos devem atingir um recorde de 3,5 milhões de bpd (barris por dia), segundo dados da Kpler.
PARCEIROS COMERCIAIS
As principais compradoras do petróleo iraniano são refinarias privadas chinesas. O Tesouro dos EUA já impôs sanções a algumas delas por aquisições de petróleo iraniano.
A China afirma não reconhecer sanções unilaterais contra seus parceiros comerciais, mas suas compras de petróleo bruto iraniano têm diminuído. Diante desse cenário e buscando também proteger seus estoques de possíveis ataques americanos, o Irã acumulou um volume recorde de cerca de 200 milhões de barris em navios —equivalente a aproximadamente dois dias de consumo global—, segundo dados da consultoria Kpler publicados nesta sexta-feira (27).
O Irã tem contornado as sanções por anos por meio de táticas como a transferência de petróleo entre navios em alto mar, a adulteração da origem da carga e o ocultamento da localização dos petroleiros de satélites.
Com Reuters e Financial Times