2026-01-20 06:51:00
Opinião
Opinião de João Rosado. As opções de mercado dos leões não levam em consideração a verdadeira lacuna que está em aberto.
Sporting CP
Com três jogadores cotados acima dos 100 milhões de euros e três que podiam em três tempos ser considerados os melhores do Mundo, o PSG vai desfilar esta noite em Alvalade os galões de campeão da Europa e talvez oferecer a Gonçalo Ramos uma inédita presença no onze inicial.
O avançado português, no que diz respeito a esta edição da Liga dos Campeões, nunca mereceu a titularidade, tendo marcado dois golos nos cinco jogos em que saiu do banco. E se Dembélé (a quem foi atribuída a Bola de Ouro e o prémio The Best), Vitinha e Nuno Mendes podiam disputar entre eles o pódio dos melhores entre os melhores, Gonçalo podia reivindicar sem grande discussão o estatuto de melhor… suplente do universo.
Aurelien Morissard
Na Supertaça europeia, na final da Taça de França, no campeonato francês e ao serviço de Portugal, o antigo avançado do Benfica coleciona remates decisivos na qualidade de arma secreta, para utilizar a terminologia do tempo em que o PSG estava longe de imaginar que a sua riqueza poderia ser digna de um unicórnio.
De acordo com o “Transfermarkt”, o segundo classificado da Ligue 1 tem ativos que traduzem uma diferença de mil milhões de euros para o líder do campeonato, um inacreditável Lens confinado a “míseros” 115 milhões de euros no que diz respeito ao valor total do plantel. Vitinha e João Neves (ambos com um preço de 110 milhões), sozinhos, representam quase tanto como todos os futebolistas do Lens e mais do que duplicam a cotação (50 milhões) de Morten Hjulmand, o elemento mais valioso às ordens de Rui Borges.
Ana Brigida
Avaliado em 50 milhões de euros, o capitão é o grande ausente na receção aos parisienses e será, tudo o indica, o grande ausente no Sporting versão 2026-27, não sendo segredo que Frederico Varandas se terá comprometido a facilitar a saída do dinamarquês na próxima janela de transferências. Levando precisamente em linha de conta esta (anunciada) operação nuclear no projeto desportivo dos leões, as atuais opções de mercado refletem um critério difícil de compreender por muito requisitado que esteja a ser o departamento clínico.
Em vez de poupar o mais possível visando a contratação de uma peça que a médio prazo seja capaz de alimentar a ideia de um substituto à altura de Hjulmand, a administração voltou a investir no segundo escalão espanhol e num atleta que não conseguiu encontrar espaço no exigente patamar da Premier League. Sem estarem em causa as competências de Souleymane Faye e Luís Guilherme, é demasiado arriscado pensar-se que os 20 milhões de euros despendidos nesta altura pelos dois (6,5 milhões para o Granada e 14 milhões para o West Ham) vão ter um retorno efetivo no campo desportivo, como se estes dois jovens não precisassem inclusive de tempo para se adaptarem à equipa e às especificidades do futebol português.
A sete pontos do FC Porto e com uma deslocação ao Dragão marcada para o início de fevereiro, os bicampeões nacionais, bem à semelhança do vizinho e rival Benfica, encontram-se numa situação delicada e que recomenda outra estratégia se o plano for mesmo manter vivo o sonho do tricampeonato. Na impossibilidade de abrir os cordões à bolsa para adquirir reputados desequilibradores capazes de provocar já a diferença, seria mais sensato acreditar nas promessas que continuam a evidenciar-se na formação (Mauro Couto e Flávio Gonçalves na senda de Salvador Blopa, sem esquecer o “velho” reforço Alisson Santos…) enquanto craques como Quenda, Pedro Gonçalves, Nuno Santos ou Ioannidis aguardam pela recuperação total.
Tudo o que significasse a tal canalização de esforços para cuidar da melindrosa sucessão de Morten Hjulmand (com Hidemasa Morita também na porta de saída) era mais apropriado para um Sporting que assim se entrega à perspetiva de Faye e Guilherme, de hoje para amanhã, se revelarem titulares indiscutíveis ou, no mínimo, suplentes de luxo. A confirmar-se qualquer um destes casos, Varandas teria de caprichar num esfuziante agradecimento ao departamento de prospeção, “peut-être” acompanhado de um… Ramos de flores.