US-Iran Conflict: Limited Trade Impact on Brazil, Focus on Oil Route Risk

2026-02-28 11:27:00

O início de um conflito armado entre Estados Unidos e Irã no território do país persa tem potencial para abalar o mercado financeiro global. Os impactos seriam sentidos em cascata pela economia brasileira em algumas frentes, mas nenhuma delas passa pela relação comercial do Irã com o Brasil.

O Irã e o Brasil mantêm fluxo comercial bilateral com exportação de produtos agrícolas e importação de itens como ureia e pistache — mas não são importantes parceiros comerciais.

Em 2025, essa relação de importação e exportação somou US$ 3 bilhões, o que equivale a aproximadamente 0,04% do comércio internacional brasileiro no ano (de US$ 628 bilhões), segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

  • US$ 84,5 milhões em importações do Irã, com ureia, pistache e uvas secas em destaque
  • US$ 2,9 bilhões em exportações para o Irã, com milho, soja e açúcar em maiores volumes

Nesse sentido da relação comercial, os efeitos sentidos seriam limitados, explica Felipe Camargo, economista-chefe de mercados emergentes na Oxford Economics. “Acredito que preços poderiam subir, mas não há razão para acreditar em bens importados que não poderiam ser substituídos”, diz.

Estreito de Ormuz é o mais importante

A preocupação global é, na verdade, pela manutenção da rota marítima pelo Estreito de Ormuz, diz Camargo. O estreito fica localizado entre o Irã e o Omã e tem de 55 a 95 km de largura. É por ele que passa cerca de 20% do consumo global diário de petróleo e do fornecimento mundial de gás natural liquefeito.

Estreito de ormuz — Foto: Arte Valor

O Irã já ameaçou o fechamento total da via marítima algumas vezes, mas isso nunca se concretizou. O que aconteceu foram fechamentos parciais, como o anunciado em fevereiro para exercícios militares de tropas da Guarda Revolucionária iraniana.

Um bloqueio da via marítima interromperia o fornecimento de regiões com grande consumo de energia, como China e Europa, o que resultaria na elevação dos preços do petróleo e potencialmente em uma desestabilização da economia global.

“Um barril de petróleo mais caro pode reduzir as expectativas de corte de juros pelo Fed [banco central americano], que, por sua vez, pressiona pela valorização do dólar americano”, explica Camargo.

As consequências para o Brasil seriam mistas, diz o especialista. Segundo Camargo, o efeito de curtíssimo prazo seria visto na inflação e nos juros brasileiros. No médio prazo, diz o economista, teríamos algum aumento nas margens das empresas de petróleo — Petrobras inclusa.

“Pode ser que haja impacto positivo na arrecadação federal também, já que combustíveis são muito tributados e o efeito na demanda é relativamente inelástico [ isto é, um produto que as pessoas tendem a continuar comprando mesmo se o preço subir]”

Os efeitos, porém, podem ser de maior ou menor intensidade, pois “o tamanho desse choque no preço do barril depende da intensidade e tempo de fechamento do estreito”.

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