2026-02-02 21:27:00
Primeira nota técnica após popularização das canetas reduz prazos e reforça cuidados com o doador
O Ministério da Saúde publicou a primeira Nota Técnica sobre a doação de sangue por pessoas que utilizam os chamados medicamentos emagrecedores à base de agonistas do receptor de GLP-1 (hormônio natural do intestino que ajuda a controlar o apetite e a glicose no sangue). Diante da popularização dos remédios, a Nota Técnica nº 5/2026 padroniza as orientações em todo o Brasil e define novos critérios de inaptidão temporária. Até então, diante da ausência de diretrizes federais específicas, o Hemosul e as demais hemorredes estaduais estabeleciam as normas em conjunto.
O Ministério da Saúde estabeleceu novas diretrizes para doação de sangue por usuários de medicamentos emagrecedores à base de agonistas do receptor de GLP-1. A Nota Técnica nº 5/2026 define período de inaptidão temporária de 14 dias em três situações: início do uso, aumento de dose e presença de reações adversas. A medida visa garantir a segurança dos doadores, já que esses medicamentos podem causar desidratação e outros efeitos colaterais que aumentam riscos durante a doação. Entre os fármacos afetados estão Ozempic, Wegovy, Victoza, Saxenda e outros aprovados pela Anvisa. Anteriormente, os hemocentros adotavam prazos mais longos de inaptidão.
Entre os medicamentos citados estão as versões injetáveis de semaglutida (Ozempic e Wegovy), liraglutida (Victoza e Saxenda), dulaglutida (Trulicity) e tirzepatida (Mounjaro e Zepbound), além da formulação de uso oral diário da semaglutida, comercializada como Rybelsus. Todos são aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
O Ministério alerta que o uso desses medicamentos pode provocar náuseas, vômitos, diarreia, constipação e redução da ingestão de líquidos, aumentando o risco de desidratação. Na doação de sangue, esses efeitos elevam as chances de queda de pressão, tonturas e desmaios, comprometendo a segurança do doador. Por isso, determinou a padronização das orientações para quem faz uso dessas medicações, com foco na proteção do doador e na qualidade do sangue coletado.
De acordo com a gerente técnica da Rede Hemosul, Andrea Silva Campos, a principal preocupação da nova norma é a segurança do doador. “Os estudos mostram que não há intercorrência para o paciente que recebe o sangue. O cuidado maior é com o doador, por causa dos efeitos colaterais desses medicamentos”, explicou.
Inaptidão temporária – A nota técnica define três situações que levam à inaptidão temporária de 14 dias para doação:
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O início do uso do medicamento,
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O aumento recente da dose e
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A presença de reações adversas, como náuseas, vômitos, diarreia persistente, constipação e sinais de desidratação. O prazo começa a contar após a resolução dos sintomas ou da alteração da dosagem.
Segundo Andrea, o uso do medicamento por si só não impede automaticamente a doação. “A pessoa precisa estar se sentindo muito bem, bem alimentada e hidratada. Como esses remédios reduzem o apetite, muitas vezes o doador também diminui a ingestão de água sem perceber, o que pode causar queda de pressão e mal-estar durante a coleta”, afirmou.
A gerente da rede afirma que os serviços de hemoterapia devem intensificar a triagem clínica, questionando os doadores sobre o início do tratamento, mudanças recentes na dose, sintomas gastrointestinais e sinais de desidratação, além de verificar se há compartilhamento das canetas injetáveis, prática que resulta em inaptidão por período ampliado. Andrea ressalta que os emagrecedores devem ser credenciados e autorizados pela Anvisa.
A nota também orienta o reforço da alimentação e da hidratação antes e depois da doação, além de um tempo mínimo de observação de 15 minutos após a coleta. Em procedimentos mais longos, como a doação por aférese, os cuidados devem ser ainda maiores.
Antes da norma – Antes da publicação da norma federal, o Hemosul adotava prazos mais longos de inaptidão, que variavam de seis meses a um ano, por precaução. “Como não havia orientação oficial do Ministério da Saúde, seguimos critérios mais restritivos para proteger o doador e o receptor. Agora, com a diretriz nacional, passamos a aplicar o prazo de 14 dias conforme previsto na nota técnica”, destacou a gerente técnica.
Andrea explica que os casos de inaptidão por uso de medicamentos representam, em média, um terço das pessoas que procuram o Hemosul para doar sangue, índice que pode cair com a nova diretriz.
Em 2024, o Hemosul recebeu 67.311 doadores. Em 2025, o número de candidatos caiu para 65.742, uma redução de 1.569 pessoas, o que representa cerca de 2,3% a menos. Já as bolsas coletadas passaram de 56.106 para 55.538, queda de 568 unidades, aproximadamente 1% de redução.
Onde doar – Em Campo Grande, as doações podem ser feitas na unidade do Hemosul localizada na Avenida Fernando Corrêa da Costa, nº 1304, além dos postos de coleta do Hemosul na Santa Casa e no Hospital Regional.
Outras unidades da Hemorrede estão localizadas em Dourados, Ponta Porã, Três Lagoas e Paranaíba. Já em Coxim e em Corumbá, a rede recebe doação apenas uma vez ao mês. Nos municípios de Nova Andradina, Naviraí e Aquidauana são realizadas campanhas externas pontuais com unidade móvel.
O que é preciso para doar sangue:
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Apresentar documento oficial com foto
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Estar em boas condições de saúde, não estar gripado ou com outra infecção
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Estar descansado e alimentado
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Ter entre 16 e 69 anos de idade
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O limite de idade para a primeira doação é de 60 anos, 11 meses e 29 dias
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Menores entre 16 e 17 anos de idade podem doar com acompanhamento e autorização do responsável legal
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Pesar no mínimo 51 kg
Quem não pode doar sangue
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Quem teve Hepatite após 11 anos de idade
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Doença de Chagas, Câncer, Sífilis
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Pessoas infectadas pelo HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e seus parceiros
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Homens e mulheres com parceiro(a) eventual ou múltiplos parceiros sexuais, que mantêm relações com ou sem o uso de preservativo
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Pessoas que compartilham seringas
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Pessoas que fazem uso de drogas injetáveis ilícitas
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